Para que se escreve?

by escrever como?

Autores houve, e obras foram criadas sem qualquer suporte escrito, por analfabetos, para analfabetos.

Através dum prodigioso exercício de memória, recorrendo a técnicas de construção algo repetitivas, os recitadores conseguiam (e conseguem ainda, nos dias de hoje) preservar a “letra” e o espírito de longos poemas narrativos. Nem por isso as obras se confundiam, nem se perdia a autoria (geralmente mítica).

Houve tempos em que se temeu que a escrita matasse a capacidade de conhecer “de cor” (do coração), perdendo-se a profundidade da aprendizagem dos ensinamentos (ver nota). Talvez à semelhança do que se receia hoje com a migração do livro físico para o digital.

A escrita terá começado para registar dados (contabilísticos, astronómicos, por exemplo), normas (jurídicas, políticas, morais e religiosas), contratos (entre duas ou mais partes, de duração maior ou menor e com obrigações recíprocas), informação (como os sinais do tempo para plantar o trigo e os acontecimentos significativos), conhecimento (desde as rotas das caravanas às origens do mundo). Seu impacto na psicologia humana, nas línguas e nas sociedades foi gradual e avassalador, mas sempre dependente do seu suporte material.

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