Nomear

by escrever como?

Escrever pode levar-nos a nomear coisas e relações entre elas de modo como  ninguém antes tenha feito, se bem que a linguagem não seja uma criação do autor. (ver nota)

As palavras exprimem “coisas”, mas os pensamentos ficam no silêncio, e entre os dois existe um abismo. É esse o desafio que se coloca à voz e à escrita: ligar o pensamento à palavra do modo mais fiel.

E isso não será perigoso? Se pensarmos a importância do “ambíguo” nas relações humanas, na criação cultural, no espaço e discurso político, só podemos recear um pensamento que se exprima de modo unívoco. Não é essa a ambição de todos os que querem fazer a interpretação literal dos textos (sagrados)?

Se bem que não tenha de ser assim: como Emissor posso ambicionar exprimir-me do modo mais fiel ao meu raciocínio, sem com isso exigir ao Receptor que se restrinja a uma leitura possível do sentido das minhas palavras. Até porque Freud já foi suficientemente esclarecedor a esse respeito.

Mas essa é a peste ideológica do pensamento totalitário e que hoje em dia é muito frequente no discurso (e na prática) dos fundamentalismos, e que Orwell bem exprimiu através da noção do Newspeak e do Doublethink em “Mil novecentos e oitenta e quatro“.

N’quel N‡usea

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