Memórias da Guerra Colonial

by escrever como?

Tenho agora em mãos um pequeno e despretensioso livro escrito no início deste século, passado numa das colónias africanas portuguesas e em plena Guerra Colonial. É um género prolífico, parece-me. Tem tudo para ser um sucesso (memórias de guerra, exotismo, história política, enredo variado), tem público numeroso e interessado (ex-combatentes), mas quantos livros destes marcam o imaginário das gerações que viveram depois do fim da guerra (anos 70 do século passado)?

Se calhar os poucos que posso citar de cor são escritos por jornalistas e historiadores. Talvez sejam ex-combatentes também. Essa será a marca dum género: a memória do ex-combatente por ele mesmo.

Numa rápida consulta ao texto e sumário desses livros, a impressão que retenho é a da pulsão pela escrita, tipo catarse, ajuste de contas com o passado, saudade dos velhos tempos (apesar de tudo melhores, porque “éramos” mais novos), crítica política ao tempo de então e/ou ao tempo que se seguiu, anedotas do quotidiano. Ou seja, há assunto. O que falta, a maior parte das vezes, é a estrutura clara, o fio condutor, a dinâmica.

Porque pretendem falar sobre um período histórico e serem, muitas delas, relatos não-ficcionais, podia se exigir “objectividade” (ver nota).

Podia. Mas isso é irrelevante para aqui.

Piratas do Tiet

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