Há livros chatos?

by escrever como?

Falar (ou escrever, que é o que nos ocupa aqui) sobre assuntos pessoais, autobiográficos, é um imenso risco e uma aposta ousada. Que muitas vezes falha e vira um tédio (quem não experimentou já a seca de ouvir alguém debitar insistentemente um monólogo sobre qualquer coisa que não interessa?)

O problema é que o “chato” não parece ter senão a vaga percepção de estar a aborrecer os outros, quando não é completamente indiferente ao impacto da sua “comunicação” ( patologia muito comum).

Ter a noção do “chato” que há em nós é uma medida de profilaxia mental, essencial para quem escreve. De qualquer modo, em formato livro, o chato tem a vantagem de ser atirado para um canto e não incomodar mais.

Há livros famosos que levantam célebres polémicas a este respeito: conceptualmente complexos, bem escritos, mas irremediavelmente chatos, ou assim dizem. Certos autores de nomeada ganham fama de ser chatos entre os estudantes de liceu, geralmente por razões alheias à qualidade da escrita (programas escolares burocráticos, professores chatos, alunos emburrecidos).

Mas a dúvida é sempre pertinente…se levar a uma investigação criteriosa.

1MUNDO MONSTRO      ADÃO

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