A falta que faz a boa crítica

by escrever como?

A viagem pelo mundo interior é um percurso complexo e com mais perigos do que a viagem de Ulisses de regresso a Ítaca. Pelo menos no domínio da literatura.

Aqui se mistura o inconsciente, as memórias (inclusive, ou principalmente, as falsas memórias), o desejo de acertar contas e o desejo em realizar sonhos, frustrações e anseios, todo um cocktail explosivo que, na maioria das vezes, tem como resultado uma pasta inodora, insípida, informe, incaracterística, quando vertido em texto com pretensões poéticas. Basta  consultar a secção de Auto-Ajuda ou afins nas livrarias para comprová-lo.
O perigo da sobrevalorização das emoções pessoais, a ponto de prejudicar a qualidade literária do texto, é bem conhecido e sua profilaxia só é possível através do exercício da crítica fundamentada por terceiros e pelo penoso processo da autocrítica, que nada tem a ver com o flagelo da auto-depreciação.

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Exactamente o contrário do que se assiste em milhentas tertúlias literárias de café ou nos grupos dedicados que pululam no Facebook, onde as palmas e os elogios parecem estar na directa proporção do alívio por ver terminada uma seca. Ou são meros rituais eufóricos de reforço do grupo, mesmo que virtual.

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