O tédio como experiência estética

by escrever como?

A expressão do tédio é um assunto completamente diferente, noutras épocas reservado às classes superiores ou àqueles que tivessem uma vida social relevante (o que pode parecer paradoxal).

Em qualquer dos casos, manifesta-se pela sensação ou sentimento de indiferença para com o meio envolvente, umas vezes assumindo um “vazio” interior, outras uma consciência ou sensibilidade hipercrítica para com a sociedade e os seus costumes.

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Sua expressão literária nasce com o individualismo: a consciência crítica, política ou não, do indivíduo frente às instituições e às normas sociais. Porque o “tédio” é uma experiência individual, acima de tudo.

Como tudo o mais, o passar do tempo irá tornar esta experiência acessível ao comum dos mortais e ganhará matizes diferenciados.

(…) Há um [monstro] mais feio, mais feroz, mais imundo!
Ainda que não faça grandes gestos nem dê grandes gritos
Se pudesse faria da terra uma ruína
E num bocejo tragaria o mundo

É o Tédio-o olho num choro involuntário,
sonha com cadafalsos enquanto fuma a houka.
Tu conhece-lo, leitor, esse monstro delicado,
-Hipócrita leitor-meu semelhante-meu irmão!

(Baudelaire, Ao Leitor in As Flores do Mal 1861)

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