A materialidade da língua oral

by escrever como?

Há autores que escrevem fazendo um uso torrencial da linguagem oral marcada por regionalismos (Malhadinhas de Aquilino Ribeiro), por regionalismos e/ou pelo modo peculiar de raciocinar do personagem-narrador (Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa), por tudo isso e ainda pelo modo (aparentemente) circular, como desenvolve o enredo tipo roda dum moinho que gira, gira (Mazurca para dois mortos de Camilo José Cela).

532208_520811881263519_437085271_n

O impacto para o leitor desprevenido pode ser negativo, tendo de se esforçar por entender a linguagem e, nos dois últimos exemplos, para perceber o enredo que “nunca mais começa” (não é verdade, mas simplifiquemos). Se desistir ao começo, não espanta. Mas quem prossegue eleva-se a um nível superior de sensibilidade e de entendimento.

Qualquer um dos autores é digno dum Nobel da Literatura (C.J.Cela foi o único dos três a ganhar, os outros nasceram muito cedo…). E estes três títulos são do melhor que fizeram, na minha opinião. Perfeitamente estruturada a narrativa, ela não é acessível sem que o leitor se deixe afundar no caudal da língua, fortemente oral e tantas vezes de difícil entendimento.

Anúncios