Abuso da palavra?

by escrever como?

Há poemas que fazem uso “desmesurado” das palavras, verborreicos ou não. E outros que as usam parcimoniosamente. Naturalmente, qualidade à parte, o efeito obtido é muito diferente.

No primeiro caso, provavelmente pretende-se uma leitura impetuosa, exaltante, agressiva, consoante o tema e o estado de espírito do autor. Ou “brincar” com jogos de palavras, sonoridades e imagens.

bla-bla-bla

Uma das dificuldades será o de manter o ritmo, ou de o alterar ao longo do poema sem prejudicar o efeito inicial, além do tremendo desafio de chegar ao final adequado.

Assim como há o risco de provocar cansaço na leitura, perca do fio-da-meada do sentido, causar verdadeiro tédio. Ou o perigo de se precipitar num final abrupto, precoce. Ou, ainda, à perca de “velocidade”, ao definhamento (os poetas também se cansam, perdem o fôlego, atiram-se para a berma da estrada…)

Muitas vezes, o tal desmesuramento resume-se a uma sucessão de referências meramente descritivas, recorrendo à adjectivação ou às comparações de modo incontinente. Aí, os poemas assemelham-se a listas de compras de mercearia.

Situação muito corrente naqueles panegíricos à terra natal, aos tempos da infância feliz e outros temas onde a emoção predomina mais do que o sentido estético (seja ele qual for).

-WM_strip_2010-10-23

Diabinho: Bebe outra cerveja, tu sabes que queres…
Anjinho: Grande ideia! Bebe! Bebe! Bebe!                                                 
                                                                                     ……………………………………………………………………Sinais de que tem um sério problema de bebida.

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