O fôlego da poesia

by escrever como?

“Seria possível escrever Os Lusíadas numa fórmula small is beautiful?” perguntam-me com alguma maldade.

A resposta é óbvia: Os Lusíadas é tão pequeno quanto foi possível ao autor “encaixar” nos dez cantos a História de Portugal (desde Viriato), a narrativa da viagem de Gama à Índia, “dissertar” de modo erudito e elegante sobre a Cultura e a Ciência europeias, produzir uma reflexão crítica sobre a “opção” de desenvolvimento que eram os Descobrimentos, fazer recomendações ao próprio rei enquanto lhe cravava uma pensão por mérito literário…Não sei, outro qualquer precisaria de escrever muito mais e, certamente, não melhoraria em nada a obra.

A questão pertinente, a meu ver, será: é possível, ainda, ler um livro de poesia com uma narrativa e dimensão desta natureza (e não me refiro a epopeias, métricas complicadas e coisas mitológicas)? Gonçalo Tavares, recentemente, atreveu-se a escrever um livro assim (Uma Viagem à Índia, ed.Caminho).

Poetry-reading

“As colinas distantes”
As colinas distantes chamam por mim
Suas ondas rolando seduzem meu coração
Oh, como anseio pastar nos seus vales luxuriantes.
Oh, como desejo correr pelas suas encostas verdes.
Ai de mim que não posso!
Maldita cerca eléctrica!
Maldita cerca eléctrica!”
Obrigado.

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