Marketing e Literatura

by escrever como?

O desespero de quem escreve e quer editar (e se consegue a almejada edição, logo a quer promover e vender rapidamente), leva a questionar quais os “segredos”, as técnicas”, para atingir esses objectivos. Tudo desejos legítimos e naturais para os quais não há que ter vergonha ou sentir culpa.

Será o título? Um título apelativo, mobilizador, que fica no ouvido?

Ou é mesmo o tema? Vampiros contra lobisomens ainda está na moda?

Talvez o famoso arranque logo na primeira página que agarra a atenção do leitor distraído ou aborrecido.

É a capa quem atrai o leitor num primeiro tempo, dirão os perspicazes.

Depois, as redes sociais farão o milagre. Diz-se. Melhor mesmo só aparecendo na TV.

Tudo questões pertinentes para o editor, sem dúvida. Mas sem sentido quando o livro ainda está por escrever.

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Reconheço o valor de qualquer uma das questões anteriores, todas têm relevância para a promoção e o impacto da obra perante um público que desconhece o autor. Daí a importância estratégica duma editora competente, daí os conflitos entre a editora e o autor sobre estes e outros aspectos do livro a publicar. Daí a falta que faz a figura do “agente literário” no nosso pequeno mundo da Língua Portuguesa.

Mas este blog limita-se à área da criação, cultiva o culto da inspiração, ou seja, o da relação erótica e fiel com a bela Musa. E fá-lo por defeito. “Defeito”, sim, no sentido de imperfeição (não como anglicismo importado pela prática de “correr” programas informáticos e quejandos). A escrita é uma pulsão, uma “necessidade interior”. É possível que seja, até, uma patologia benigna. Acima de tudo, e desejavelmente, deve ser uma paixão.

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Conseguir equilibrar os excessos dessa paixão com o rigor da gramática, estruturando um texto legível e interessante, parece-me uma tarefa suficientemente complexa e absorvente. E, por defeito e limitação assumidas, apetece-me dizer como Guerra Junqueiro dizia de cada livro que concluía, que  era como deixar um filho na “roda”: a partir daí deixava-se de preocupar com o que viesse a acontecer-lhe.

A “roda” de que falava era uma placa giratória, na parede de certos conventos, onde quem passasse na rua podia deixar os recém-nascidos ao cuidado das freiras. Exagero dele, certamente.

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