Nem tudo o que luz…

by escrever como?

Uma das críticas mais comuns é o uso (e abuso) do chamado lugar-comum: adjectivar a Lua de “prateada” ou escrever “luar de prata” é perfeitamente legítimo, toda a gente entende. Porém, arrisca-se a ser banal como um “sol dourado”.

E a banalidade é quase sinónima de aborrecimento, que é o pior que posso dizer dum texto.

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Homem:”O meu filho de 4 anos podia ter pintado isto!”
Criança:”Tenho dúvidas a esse respeito, Pai, até porque vejo isso como uma pura peça de decoração abstracta não-figurativa completamente vazia de significação. Não tenho qualquer intenção de pertencer a essa patética, superficial escola de arte…”

Ou aquelas referências aos atributos duma cidade, conhecida por ser “invicta, sempre fiel” ou às colinas, ao rio que passa defronte: tudo isso pode ser verdade, mas que interesse têm no contexto, na estrutura, no propósito do texto?

O lugar-comum, ou frase feita, é uma bengala da escrita preguiçosa, talvez demasiado ansiosa por manifestar a urgência duma inspiração ou dum sentimento.

Quando o leitor tropeça nessa bengala, pode até apreciar o reencontro com uma imagem familiar, à semelhança daquelas cantiguinhas em que o refrão é uma toada fácil de fixar…tra-la-rá, tra-la-rá, tá, tá…

Fica no ouvido, mas não associamos a ninguém em particular.

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