“Se não é verdadeiro…está bem contado”

by escrever como?

Relatos de viagem, crónicas e memórias de tempos vividos (ou ouvidos da boca dos seus protagonistas), autobiografia/biografia, tudo isto são narrativas supostamente de não-ficção, mas podem ser estruturadas como uma narrativa ficcionada: tema, enredo, personagens, ritmo, tempo, desfecho, propósito, tudo elementos que podem estar presentes para auxiliar quem escreve a alinhar os factos e a quem lê acompanhar com interesse.

O que faz a diferença, o que credibiliza essa narrativa na sua pretensão de se ater à “verdade”, está na revelação de fontes, documentos, testemunhos, através de fotos, cartas, registos oficiais, pessoas, locais. Que é a marca d’água da transparência, da honestidade, permitindo que tudo o que está ali escrito seja confirmado por qualquer leitor interessado. E daqui abrem-se as vias para a saudável, desejável polémica. O famoso contraditório, como agora se usa dizer em jargão jurídico-jornalístico.

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Frequentemente, o escrúpulo do autor em apresentar documentação e em manter um relato objectivo, torna a leitura desinteressante para o leitor comum, ainda que útil para os investigadores.

Muitas outras vezes, nem há escrúpulo, nem qualquer pretensão de objectividade, construindo-se uma narrativa que, também por isso, é enfadonha. E por muitas verdades que sejam ditas, o leitor pode se reservar o direito de duvidar de tudo o que lê: primeiro, porque não tem como confrontar afirmações e alegados factos; depois, porque pode legitimamente desconfiar do tom, da perspectiva assumida, do preconceito que o autor manifesta, sem jamais reconhecer.

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Finalmente, há livros (ou textos) que não importa se o que relatam é verdadeiro, aplicando-se-lhes o clássico juízo: ” se non é vero…é ben trovato”. Valha-nos isso!

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