Memorialismo, monografia, ensaio, estudo, enfim…

by escrever como?

Acredito que não há “uma” maneira de se começar (já agora, de continuar e concluir) seja o que for. Inclusive, dos meus incipientes anos de estudo de matemática, recordo haver mais do que um modo de desenvolver determinado cálculo, mas é o mais elegante e simples que leva vantagem, quanto mais não seja pela “facilidade” do entendimento.

Há quem apresente o plano geral do livro, outros apresentam as conclusões e depois desenvolvem todo o processo para aí chegar.

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Mas porque não começar dum modo imprevisto pelo leitor que julgue conhecer o tema? Porque não começar com uma estória, banal ou insólita, que resulte numa introdução ao problema?

Quem tem um estatuto académico/profissional a defender pode se subordinar a certas regras de exigência formal, metodológica e/ou científicas. Ou manda as regras às malvas e “desce” ao nível do grande público, assumindo-se como um divulgador e, eventualmente, um provocador. Os riscos são conhecidos, a solidez dos conhecimentos e a qualidade da obra é que variam muito.

Já o erudito amador, noutros tempos um pároco de aldeia apaixonado pelos achados arqueológicos e documentos históricos da remota região onde exercia, dispensa essa preocupação. Sem perder noção dos limites do autodidatismo, nem negligenciar consulta da bibliografia especializada, e outras cautelas que evitam erros e omissões demasiado evidentes para um público interessado e bem formado. E recomendo o mais estrito cepticismo a tudo o que se leia na net.

Calvin: "Fico a pensar porque foi o Homem posto no mundo. Qual é o objectivo? Porque estamos aqui?" Hobbes: "Para serem comida de tigre."

Calvin: “Fico a pensar porque foi o Homem posto no mundo. Qual é o objectivo? Porque estamos aqui?”
Hobbes: “Para serem comida de tigre.”

Frequentemente, o autor nem é, nem pretende ser, um erudito. É, simplesmente, alguém que quer recordar outros tempos, outros hábitos e gente que já morreu. Tempos, hábitos e gente que ele viveu, conheceu e com quem conviveu. Ou de que ouviu falar da boca de seus pais e parentes mais velhos.

Se outro valor não tiver, o registo das memórias (mesmo que inexactas, contraditórias, falsas até) por parte de quem teve alguma relação com o tema é matéria e documento para estudos que venham a surgir depois.

Daiquiri

Daí que a apreciação crítica que se faça nunca deva ser no sentido de abafar o impulso de escrever. Porém, sem nunca deixar de lhe apontar os limites, as incorrecções e as distorções que este tipo de literatura fatalmente incorre.

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