Bloqueio criativo

by escrever como?

Por mais voltas que demos, voltamos sempre ao básico: escrever como?

A folha branca diante dos olhos (permitam-me a imagem clássica, apesar de tudo verosímil por causa da página do word) continua desesperadamente imaculada e o autor, uma criatura ainda virtual, atormentado com a evidência da sua incapacidade.

galinha:-Maldita sejas, página branca! Tu fazes pouco de mim com a tua brancura! pagina branca:-Volta! Eu acredito em ti! lapiseira:-Vai e não voltes! Que parvalhão! O bloqueio do autor, normalmente atribuído a uma pagina em branco, tem origem em lapiseiras perversas.

galinha:-Maldita sejas, página branca! Tu fazes pouco de mim com a tua brancura!
pagina branca:-Volta! Eu acredito em ti!
lapiseira:-Vai e não voltes! Que parvalhão!
O bloqueio do autor, normalmente atribuído a uma pagina em branco, tem origem em lapiseiras perversas.

No tempo das folhas de papel, um caixote de lixo atafulhado de escritos amarrotados faria prova do contrário: em desespero, o escrevinhador alisaria o amarrotado na tentativa de extrair algum metal precioso daquela escória toda. Talvez fosse, subitamente, bafejado pelo dom de reordenar, editar e recriar muito do que antes fora desprezado.

Um (re)começo constante até à fórmula final. Ou quase final.

Com a tecla ‘delete’ tentadora, por um lado, ou a insidiosa questão final antes do fecho do documento ‘deseja guardar as alterações?’, o escrevinhador de teclado de computador arrisca deitar fora duma vez, e de vez, todo o trabalho de horas, dias, talvez semanas e meses. Assim, a maldição de Sísifo condena o seu esforço, sem glória, nem emenda.

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