Começar de novo

by escrever como?

O escrevinhador pode iniciar sua estória de modo lógico e sequencial ‘Era uma vez,…’ colocando tijolo a tijolo os alicerces do precário edifício que tem em mente. Sem preocupações de maior, excepto a de alinhar os acontecimentos, apresentar as personagens relevantes e outras, deixar fluir a escrita, tentar a bela musa.

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Ao fim dum tempo, mais ou menos longo, ao reescrevinhar pela enésima vez, o escrevinhador começará a brincar.

Umas vezes surpreendendo: “Muitos anos depois, frente ao pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou a conhecer o gelo.” (primeiras linhas de Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez)

Outras vezes trocando as voltas ao bom senso do leitor: “Contudo, nunca foi bem estabelecida a primeira encarnação do Alferes José Francisco Brandão Galvão, agora em pé na brisa da Ponta das Baleias, pouco antes de receber contra o peito e a cabeça as bolinhas de pedra ou ferro disparadas pelas bombardetas portuguesas , que daqui a pouco chegarão com o mar. Vai morrer na flor da mocidade, sem mesmo ainda conhecer mulher e sem ter feito qualquer coisa de memorável.” (primeiras linhas de Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro, ed. Publicações Dom Quixote)

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Aí, certamente, o escrevinhador já sentirá o pulso firme do escritor segurando o fio de prumo do enredo.

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