Escrever é preciso

by escrever como?

Ainda ontem, falando com um pintor, este dizia que pintar ao fim-de-semana estava bem, mas quando se “anda nisto” a sério há que pintar todos os dias. Porque a ‘ideia’ tem de ser trabalhada, a mão exercitada até o gesto sair sem medo (e o medo nota-se nas pinceladas deixadas para trás).

Chiclete com Banana

Com a escrita pode-se dizer o mesmo: até na ausência duma ideia, a pulsão pela escrita exige exercício, técnica, ensaio-erro-repetição. Felizmente com menos custo do que em outras artes.

Há algum tempo, alguém que não tem pretensão de publicar nada, mostrou-me o seu moleskine e maravilhei-me com a quantidade de anotações interessantes acumuladas em sequência caótica, fruto de leituras, reflexões, conversas. Coisas simples como uma citação latina, um verso solto, um dado estatístico, podem desencadear o processo mental criativo que resulte num projecto…imagine-se, então, um bloco de anotações com dezenas de páginas manuscritas! À sua maneira, o moleskine funciona como uma sessão de brainstorm disponível para uso e abuso do seu possuidor.

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Como vivemos numa era mais sofisticada do que as anteriores, os blogs abrem-nos outras possibilidades, como a de seguir o dia-a-dia do mundo em geral e dar-mos a nossa opinião, exprimir-mos nossas perplexidades e indignações, anotarmos ditos e factos que sejam relevantes.

Muita gente aborrece-se de manter um blog por falta de audiência, mas essa é uma questão secundária. O importante, para o que nos interessa aqui, é a possibilidade de ‘afixarmos’ nossos textos de modo organizado, com a frequência que entendermos e cuja leitura possa ser aberta a todo o mundo.

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A possibilidade de produzir textos com boa apresentação gráfica, expondo-os publicamente, tudo isto sem custos, não é, por si, motivo para alegrarmo-nos por viver nesta época, não noutra em que dependíamos dum editor?

-Continuas com aquele blog de poesia? -Sim, é fabuloso! Faz-me sentir que há um público muito maior a ignorar o meu trabalho!

-Continuas com aquele blog de poesia?
-Sim, é fabuloso! Faz-me sentir que há um público muito maior a ignorar o meu trabalho!

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