Escrever uma história banal como?!

by escrever como?

Uma história banal: o relato da vida de um homem comum até ao momento da sua morte. Que pode resultar daqui senão uma série de acontecimentos anedóticos pontuados por justificações, remorsos, desculpas, mentiras? 

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Afastemos os propósitos morais, a tentação do autor em nos ensinar através do exemplo: é um género e dos mais glosados, dos mais insuportáveis pelo uso e abuso de estereótipos. E pressupõe uma moral, uma verdade, uma via recta. Reconheço que tem um público, duvido é do valor literário quando levado a sério.

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Se contamos a vida (e morte) de alguém, então porque não nos centrarmos na verdade que ele toma como sua? Ou nas verdades que cada ser humano que com ele se cruzou na vida têm a dizer a seu respeito? Quantos retratos do mesmo homem se podem fazer deste modo?

Procedendo assim, provavelmente deslocamos a ‘verdade’ para o ‘sentido’ (da vida), e afastamos qualquer propósito legislador e propagandístico. Os ‘factos’, já o devíamos saber, são uma construção.

Tendo o Tema (a vida e morte de alguém) e a Abordagem (uma narração omnisciente do ponto de vista do protagonista e o das pessoas que se cruzam com ele), o Propósito torna-se mais simples e transparente: entender/expor/problematizar a complexidade duma vida (ainda que banal) e reflectir sobre o ‘material’ que a escrita produza.

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A partir daqui, ao escrevinhador coloca-se o desafio do Processo: como irá desenvolver o tema de acordo com a abordagem definida tendo como propósito fazer do banal uma história…uma história, sei lá!… profunda, misteriosa, fascinante? Até mesmo, por paradoxal que seja, extraordinária?

‘Como contar uma história banal de modo interessante?’ pergunto à bela Musa. Mas a resposta brinca-lhe nos lábios…

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