Da arte de escrever pouco

by escrever como?

Começar uma história torna-se uma prova árdua porque exige fio condutor, fôlego, estrutura. E muitas vezes o que motiva o escrevinhador são algumas ideias soltas sem a base onde assentem e formem algum tipo de unidade narrativa.

"Há menos aqui do que a vista pode alcançar."

“Há menos aqui do que a vista pode alcançar.”

Daí a tentação em enveredar pela história curta na ilusão de ser mais fácil de ‘dominar’. Ilusão assente numa outra: o que é pequeno é, necessariamente, mais fácil de fazer do que aquilo que é maior. Mas será bom que o escrevinhador tenha em atenção que as estórias curtas sofrem do mesmo grau de exigência que as anedotas: há um elemento surpresa, uma ‘punchline’, e não conheço técnica mais difícil de apurar.

599304_690815427614349_367444835_n

Embora se possam organizar contos numa unidade narrativa, formando seu universo próprio, conto a conto levando o leitor a reencontrar os mesmos temas sob um estilo comum, equivalente à voz dum narrador familiar. Essa unidade exige que a compreensão dum conto só seja plenamente conseguida lendo-os a todos.

Chiclete com Banana

Deste modo, o autor concede-se ‘espaço’ para além de cada conto onde poderá desenvolver o que para trás fica inacabado ou por dizer. Essa continuidade poderá, eventualmente, sugerir-lhe outra estrutura. Na verdade, o fôlego do escrevinhador é que será outro, por essa altura.

13241377

Anúncios