Escrever desequilibrado como?!

by escrever como?

Perguntam-me se o ‘desequilíbrio’ de que falo no post anterior é um atributo literário, uma técnica ou um modo de dizer. Para simplificar, complicando, respondo que sim: é tudo isso à vez.

Para equilibrar os nossos comentários vamos agora apresentar uma "fonte não informada"

Para equilibrar os nossos comentários vamos agora apresentar o ponto de vista duma “fonte não informada”

O que não é, fica ainda mais fácil de entender:

-não é um desequilíbrio no tema, excedendo/omitindo detalhes de modo a afectar o enredo; situação comum quando o escrevinhador não doseia os dados necessários ao leitor, tanto podendo aborrecê-lo com pormenores eruditos (e desnecessários do ponto de vista literário), como enganado-o por falta de informação (eventualmente, pontos de vista alternativos aos desenvolvidos no livro).

-não é desequilíbrio no efeito obtido, frustrando a legítima expectativa com um desenvolvimento aquém do prometido; situação comum quando tema, enredo, personagens, sofrem pela falta de preparação do escrevinhador e soluções confusas ou cedem ao estereótipo.

-não é desequilíbrio da composição, tornando inverosímil o tema, a personagem, o enredo; situação muito comum nos finais precipitados em que falha o fôlego à narrativa para resolver as questões abertas ao longo do seu desenvolvimento; ou, inversamente, quando o ‘arranque’ é lento e focado numa personagem/tema/propósito que não tem seguimento ou justificação no tratamento depois dado ao enredo.

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Diferentemente, o desequilíbrio de que falo é uma tensão. Que o enredo aumente ou diminua essa tensão não é relevante para a discussão, mas é essencial que o seu desenvolvimento e conclusão a resolvam em algum sentido. Ou não, evidentemente.

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