Questões de gosto e de modas

by escrever como?

Se não tem compromissos editoriais, nem público-leitor a quem justificar fidelidades, por que há-de o escrevinhador se preocupar com o ‘sucesso’? Por que há-de angustiar-se com a ‘formatação’ daquilo que está escrevendo neste momento? 

Sou um autor de 'edições de autor' que envia constantemente cartas de rejeição a si mesmo.

Sou um autor de ‘edições de autor’ que envia constantemente cartas de rejeição a si mesmo.

Também aqui não existem respostas simples.

O ‘sucesso’ é uma aspiração legítima, um critério de valor, e a ‘formatação’ será o modo como os escritos estão estruturados num todo coerente e atraente do ponto de vista do leitor. 

O escrevinhador procura ‘a’ fórmula que resulte, aquela que vai de encontro às expectativas do leitor. Portanto, há que estar atento às tendências, aos gostos dominantes, ao que está na moda.

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Assumindo que os leitores valorizam menos o estilo e mais os conteúdos, por exemplo. Também se pode supor que o interesse pela estória será sempre maior quando o ritmo for rápido, as surpresas variadas e o desfecho imprevisto.

E, para facilitar a leitura e a compreensão ao leitor, evitam-se complicações estilísticas, caracterizações ambíguas, dilemas sem resposta evidente, referências extra-textuais, coisas assim que desafiam o entendimento e podem enfastiar o infeliz, levando-o a pousar o livro de forma definitiva e sem apelo.

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Os riscos duma tal abordagem são evidentes: se o enredo não estiver à altura das expectativas e/ou o ritmo ficar aquém da intensidade para ‘agarrar’ o leitor, o vazio literário torna-se óbvio.

Além disso, há sempre o risco de errar na premissa da fórmula: a de que o escrevinhador conhece os gostos, as tendências dominantes.

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Se fosse muito, mas muito crítico, diria que essas coisas a que chamam ‘tendências’, ‘gostos’ ou ‘moda’ são construções elaboradas, produzidas para servirem de orientação aos consumidores (e não é que o disse?!)

Talvez fosse melhor, por tudo isto,  que o escrevinhador novato nestas andanças não condicionasse a criatividade aos modelos estereotipados daquilo que possa julgar ser ‘o’ público-alvo. 

TUCHÊ-MÚSICA-CLICHÊ

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