A escrita preguiçosa

by escrever como?

Não tem como confundir o bloqueio da escrita com a escrita preguiçosa. O bloqueio até será frequente quanto já se escreveu (mais ainda se já publicou) algumas obras, enfrentando o escrevinhador a angústia de ter esgotado o assunto, de voltar a repetir temas, tiques e truques. A boa notícia é que está na hora de partir para outra etapa da viagem, a má é que a bela musa teima em não aparecer.

Sobre o bloqueio já aqui, ali, acoli e acolá (e mais além também!) se falou algo, e tanto pode acontecer ao inexperiente, como ao mais bem sucedido dos escrevinhadores. Mas preguiça é coisa totalmente diferente.

"Ele está a trabalhar uma canção de ninar."

“Ele está a trabalhar uma canção de ninar.”

O escrevinhador preguiçoso é uma espécie muito comum entre os principiantes, por falta de experiência e método, provavelmente. Da experiência se pode dizer como os versos de Machado a propósito do caminho Caminante, no hay camino,/se hace camino al andar. Ora, se a sua tendência for a produção poética, ao fim de um tempo acabará por acumular um acervo razoável de poemas/textos poéticos, onde o crítico poderá confirmar a inconsistência ou a incapacidade de desenvolver o potencial. Falta de método, em qualquer dos casos.

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“Nunca penso enquanto estou a trabalhar. Não sou bom a fazer várias coisas ao mesmo tempo.”

Daí surge a ‘escrita preguiçosa’: plena de estereótipos, cultivando o lugar-comum como referência e tradição, desinspirada, abúlica, mais ainda se servida por uma gramática deficiente ou sofrendo um regime pobre em leituras. Porém, muitas vezes passa por voluntariosa, dedicada, sofrida, e outros atributos que têm mais a ver com as emoções do que com a literatura. image004 E, ao contrário do bloqueio, tende a tornar-se uma patologia crónica, maligna, potencialmente contagiosa.

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