Reconstruir os alicerces do texto

by escrever como?

Para iniciar a revisão crítica do texto, depois de concluída a fase criativa, é fundamental que o escrevinhador se distancie emocionalmente do processo.

O ideal será passar alguns dias sem lidar com ‘aquele’ texto, já que, ao retomá-lo, irá estar muito mais atento ou sensível aos erros, incongruências, deselegâncias, banalidades e muitos outros defeitos.

1503939_484420251676357_1918546267_n

O problema varia consoante o escrevinhador, o momento ou a obra, mas tem sempre a ver com o natural envolvimento emocional focado na intensidade do enredo (ou do processo criativo), insensibilizando a atenção para detalhes técnicos. Às vezes, essa emoção sobrevaloriza aspectos secundários, dando-lhes espaço e destaque injustificado.

Por isso, num momento posterior em que o vinculo emocional é menos forte, graças ao distanciamento criado pela quebra da rotina, pela atenção dada a outros projectos ou aspectos da vida pessoal, o escrevinhador pode proceder à revisão crítica com acuidade.

Ao nível mais básico, possivelmente encontrará erros ortográficos e gramaticais: prejudicam a comunicação com o leitor, podem ser mais ou menos vergonhosos, mais ou  menos comprometedores no que toca ao estilo, à beleza, à fluidez do texto.

Niquels

Erros frequentes em escrevinhadores de todos os tipos de formação, actividade profissional e etc e tal (podem até ser ilustríssimos desconhecidos que escrevem em blogs que dão dicas sobre escrita!), devido à tal intensidade emocional em que formulações mentais e formas de oralidade se ‘atropelam’ no texto, onde as regras de comunicação são outras.

Certamente, a fragilidade duma aprendizagem formal da Língua, a falta de hábitos de leitura activa (distinta da passiva porque não se esgota na ‘mensagem’) e de escrita, contribuem muito para esta categoria de erros.

law-and-order-gramatica

Para além dos chamados ‘erros de palmatória’ (não faço a menor ideia qual seja a origem desta expressão…), existem outros não menos importantes, por vezes bem escondidos em longas frases confusas. Dos mais arreliantes são aquelas situações em que o leitor fica na dúvida qual seja o sujeito de determinada frase, criando ambiguidades tanto maiores quando, em qualquer das hipóteses, a frase tem sentido.

A terapêutica duma escrita de frases sucintas, logicamente encadeadas, pode ser bom remédio para a maioria das situações, obrigando o escrevinhador a desenvolver o alerta interno sempre que é tentado a esticar, esticar, colocando virgulas a eito como em certas estradas colocam placas de transito nos últimos metros antes do cruzamento.

10153670_619163911486166_1468205017_n

Porém, este remédio não é tão eficaz  para o caso da poesia, onde os artifícios estilísticos são muito mais ricos e variados, o que é sinónimo de terreno traiçoeiro e movediço.

 

 

 

Anúncios