As fases da construção

by escrever como?

Se houvesse uma regra de construção da narrativa, seria a de ter principio-meio-e-fim. Mas não necessariamente por esta ordem.

Podem ser citados bons livros que seguem esta ordem e bons livros que não a seguem, assim como existem muitos maus livros e livros assim-assim que tanto fazem duma maneira, como da outra.

Ou seja, a qualidade da escrita e do enredo não passa por aqui. O que passa é a ‘facilidade’ com que o escrevinhador organiza os materiais (tema, personagens, intriga) ao longo do desenvolvimento. Principalmente nas estórias longas.

-Onde vais buscar estas ideias?

-Onde vais buscar estas ideias?

Fico com a impressão de que o escrevinhador, frequentemente, paga o preço da (des)organização escrevendo uma estória em que se perde o fio à meada (o foco da atenção) acompanhada duma perca de qualidade (assumindo que esta existe) no tratamento dos detalhes (caracterização das personagens ou a coerência dos acontecimentos, por exemplo).

Nos gloriosos tempos em que os escrevinhadores produziam para satisfazer o ritmo da publicação em formato de folhetim, nos jornais, para pagar as despesas básicas de tabaco e álcool, é natural que muitos não tivessem tempo para grandes reflexões metodológicas e escreviam com paixão, furor.

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Mas mesmo os mais produtivos tinham o seu método mínimo, como Ponson du Terrail, que tinha bonequinhos  encima duma mesa para não confundir as personagens mortas ao longo da escrita das aventuras de Rocambole, com as que permaneciam vivas. Diz a lenda que, por vezes, ao limpar a casa, a empregada acrescentava ou retirava bonecos à mesa. Inadvertidamente, claro.

E que seria por essa razão que, ao longo das aventuras daquele herói, personagens desaparecem subitamente, e assim permanecem ao longo de vários capítulos sem explicação nenhuma, e outras reaparecem inopinadamente, apesar de terem sido mortas de modo público e notório.

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Rocambolesco, dir-se-ia noutros tempos.

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