Um curto parênteses para repetir o de sempre

by escrever como?

Para aqueles que pedem dicas para a promoção dos livros editados, relembro que não é essa a vocação deste humilde blog. O seu propósito é reflectir sobre a criação literária numa perspectiva algo teórica, algo prática.

imagem de Pawel Kuczynski

imagem de Pawel Kuczynski

Numa época em que a auto-edição (ou edição de autor) é cada vez mais acessível, o escrevinhador tem total liberdade criativa, correndo o risco de não ser lido e que é o risco de todos os tempos, no passado, no presente e no futuro.

É por isso que entendo vivermos numa época de ouro da escrita (tudo se pode publicar) e o seu contrário (raro é o livro publicado que se aproveita).

Quando digo ‘raro’, não pretendo dizer que hoje se escreve pior do que antes, mas que o aumento maciço de edições desequilibra a proporção entre os livros interessantes e os outros.

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Assim, mais do que se preocupar com a promoção, creio que o escrevinhador deve ser autêntico e interessante…qualidades que, de modo algum, se confundem.

Pode ser interessante sem ser autêntico?

Evidentemente que sim, mas acaba sempre por se notar algo de postiço e/ou vazio na escrita.

Dr.

‘Dr.Peter-psiquiatra’  PACIENTE:”Ninguém presta atenção ao que eu digo. Sou tão chato, as pessoas desinteressam-se” PSIQUIATRA: “Desculpe, estava a dizer alguma coisa?”

Autêntico sem ser interessante é o mais comum, pois se a qualidade de alguém ser o que é já se torna muito duvidosa na vida em geral, não há nenhuma razão para que a escrita seja excepção.

Daí regressar incessantemente à interrogação escrever como?

"Oh, sei que Ele trabalha de modo misterioso, mas se eu trabalhasse desse modo acabava despedido."

“Oh, eu sei que Ele trabalha de modo misterioso, mas se trabalhasse desse modo acabava despedido.”

 

 

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