Desencanto

by escrever como?

Há a confusão comum entre o ‘livro chato’ e o desencanto da literatura, mas são fenómenos distintos.

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Chamam-lhe ‘livro’…mas não tenho ideia donde estão as pilhas.

O desencanto tem a ver com com uma atitude já prevista desde os primórdios da massificação da cultura: tudo o que seja menos claro, menos óbvio, mais complexo, exigindo conhecimentos e referências, torna-se menos acessível.

Tornando-se  um auxiliar fundamental para a massificação, o estereótipo simplifica a comunicação: o menor tempo exigido para a assimilação, a ausência de incerteza ou ambiguidade, sua eficácia em termos de contextualização, são características que contaminam os discursos, os hábitos mentais, os gostos colectivos. 14135235 Mas não é por isso que um texto perde em emoção, sentimentalismo ou polémica. E também não é fácil usar os estereótipos com sucesso…seja de que tipo for. Já o livro chato pode, ou não, ser perfeitamente estereotipado; pode, ou não, exigir conhecimentos e referências; pode, ou não, ser complexo.

Mas dificilmente desperta emoções, sentimentos e polémicas por si mesmo.

Porém, o desencanto aumenta a produção de livros chatos e estes, por si, não implicam o aumento dos estereótipos. Ou seja, no primeiro caso a responsabilidade recai nos leitores e não-leitores (que se tornam desinteressantes e desinteressados), enquanto no segundo recai sobre os escrevinhadores.

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Mas porque escrevem eles livros chatos?!

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